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20100727

Num mundo preto e branco, o meu coração não tem cor.

E aqui estamos. Tu e eu, eu e tu. Ela e ele, ele e ela. Duas almas perdidas a quem as crianças apontam e as suas mães rapidamente explicam que são um exemplo. Um exemplo do que o amor não deve fazer, um exemplo do que nunca se devem tornar.
Nós os dois, corações partidos pelo flagelo que é o amor. Amor este que agora é apenas um fantasma nos nossos corações.
Os dois, de olhos negros por causa das lágrimas que derramámos. Entrelaçados, as nossas lágrimas unem-se, confluindo num só rio.
Aqueles dois, fantasmas do que já foram. Juntos, porque a tristeza os uniu num estranho amor, livre de si mesmo mas necessário para a sua sobrevivência.
E, à medida que te aproximas da porta, o meu coração quer gritar «Fica!» de tal maneira que a voz mal consegue acompanhar. « És a razão porque sobrevivo. Sabes disso. Não abandones o meu coração partido e prometo tentar arranjar o teu também. Sei que tentas actuar como um rochedo para aqueles que amas mas deixa-te levar. Deixa-te confluir neste rio que é meu e deixa o tornar-se o símbolo da nossa existência. Lágrimas negras, não quero saber. Faremos a nossa celebração da tristeza. Não esqueceremos o nosso passado e festejaremos o facto de sermos duas almas negras juntas à espera da ultima viagem onde ganharão as suas asas.»