E aqui estamos. Tu e eu, eu e tu. Ela e ele, ele e ela. Duas almas perdidas a quem as crianças apontam e as suas mães rapidamente explicam que são um exemplo. Um exemplo do que o amor não deve fazer, um exemplo do que nunca se devem tornar.
Nós os dois, corações partidos pelo flagelo que é o amor. Amor este que agora é apenas um fantasma nos nossos corações.
Os dois, de olhos negros por causa das lágrimas que derramámos. Entrelaçados, as nossas lágrimas unem-se, confluindo num só rio.
Aqueles dois, fantasmas do que já foram. Juntos, porque a tristeza os uniu num estranho amor, livre de si mesmo mas necessário para a sua sobrevivência.
E, à medida que te aproximas da porta, o meu coração quer gritar «Fica!» de tal maneira que a voz mal consegue acompanhar. « És a razão porque sobrevivo. Sabes disso. Não abandones o meu coração partido e prometo tentar arranjar o teu também. Sei que tentas actuar como um rochedo para aqueles que amas mas deixa-te levar. Deixa-te confluir neste rio que é meu e deixa o tornar-se o símbolo da nossa existência. Lágrimas negras, não quero saber. Faremos a nossa celebração da tristeza. Não esqueceremos o nosso passado e festejaremos o facto de sermos duas almas negras juntas à espera da ultima viagem onde ganharão as suas asas.»
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20100727
20100618
Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.
«Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.» - Aparição, Vergílio Ferreira
Relembro a minha coragem ou falta dela. Enquanto olho pela janela recordo da tua maneira de falar, a tua maneira de amar, a tua maneira de ser.
É nestas alturas que um ateu fica lixado. A falta de uma força superior, alguém com quem falar obriga que os meus pensamentos me assolem toda a noite. É por isso que olho pela janela, à espera que passes por aqui novamente.
É incrível como é difícil esquecer a tua cara. Uma viagem ao meu subconsciente revelaria todo um museu sobre ti. Sobre cada uma das tuas frases, analisadas até cada ultima letra. É me impossível chegar a ti, és intocável. Por isso ficarei aqui nesta sala vazia a relembrar. Sabes onde me encontrar.
Relembro a minha coragem ou falta dela. Enquanto olho pela janela recordo da tua maneira de falar, a tua maneira de amar, a tua maneira de ser.
É nestas alturas que um ateu fica lixado. A falta de uma força superior, alguém com quem falar obriga que os meus pensamentos me assolem toda a noite. É por isso que olho pela janela, à espera que passes por aqui novamente.
É incrível como é difícil esquecer a tua cara. Uma viagem ao meu subconsciente revelaria todo um museu sobre ti. Sobre cada uma das tuas frases, analisadas até cada ultima letra. É me impossível chegar a ti, és intocável. Por isso ficarei aqui nesta sala vazia a relembrar. Sabes onde me encontrar.
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